Raquel Pereira Henriques


Tema abordado:

- A Pandemia Covid-19.

Raquel Pereira Henriques

Raquel Pereira Henriques nasceu em São Jorge da Beira, Covilhã, a 20 de maio de 1962. É licenciada em História, mestre em História dos Séculos XIX-XX e doutorada em História Cultural e das Mentalidades Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É professora de História do Ensino Básico e Secundário, professora no departamento de História da FCSH‑UNL, coordenadora na mesma instituição do Mestrado em Ensino da História e da Geografia para o 3º ciclo e ensino secundário e investigadora integrada no Instituto de História Contemporânea da FCSH‑UNL. Foi ainda presidente da Associação de Professores de História (2009-2013). É autora, entre outras obras, de A arte de ensinar uma profissão: o ensino técnico e profissional na Casa Pia de Lisboa, 1930-1950 (2002, tese de mestrado), Discursos legais e práticas educativas: ser professor e ensinar História (1947‑1974) (2010) e Viver e Resistir no Tempo de Salazar (em co-autoria com Maria Alice Samara, 2013) e José Magalhães Godinho: um construtor da democracia (2019). Foi coordenadora da coleção "Histórias na História", publicada pelas Edições Sílabo. 



1. Qual é a sua profissão? 

Professora.


2. O que se alterou na sua vida com a pandemia do Covid 19?

Fiquei a trabalhar à distância. Mas onde senti mais alterações foi no contacto com as outras pessoas. Deixei de ver muitas pessoas com quem contactava assiduamente, deixei de ir almoçar ou jantar fora de vez em quando, estive muito tempo sem ver os meus pais. Houve compras que fiz on-line , por imperiosa necessidade e passei a fazer mais exercício para poder movimentar-me mais e compensar o tempo que estava sentada. Os contactos pessoais foram aqueles que mais sofreram.


3. Que efeitos tem tido esta pandemia, na sua vida, em termos laborais?

Quase tudo passou a ser feito à distância, o que significou por vezes oito horas por dia em reuniões e aulas. Esse trabalho tem vantagens, porque há reuniões e há decisões que podem ser tomadas em casa, mas tem também desvantagens porque as interações pessoais são fundamentais e a comunicação é mais fluída. Não é a mesma coisa trabalhar com os alunos à distância porque presencialmente pode haver exemplificações dadas no momento, porque se percebe melhor quem não está a perceber, porque se pode logo atuar, porque as comparações, as pequenas histórias acontecem de modo mais natural e isso possibilita um melhor entendimento e, também, uma outra proximidade.


4. Na sua opinião, quais têm sido os efeitos desta pandemia na economia do nosso país?

Terríveis porque aquelas pessoas que têm atividades que dependem de uma porta aberta (como é o caso dos lojistas, dos restaurantes) não ganham se houver confinamento. E se não ganham não podem pagar as despesas dos espaços mas, também, as suas despesas pessoais. Houve muitas pessoas que ficaram desempregadas, que tinham vidas comuns, que ganhavam o seu salário e pagavam aquilo que necessitavam para a sua sobrevivência e que de repente deixaram de conseguir fazê-lo. Pessoas com filhos a cargo, que de repente passaram a estar dependentes ou dos pais idosos e das suas reformas pequenas ou da ajuda do Estado, da Segurança Social. Isto é terrível porque muitas famílias passaram a estar na condição de dependência económica e social e sabem que a recuperação é lenta. Pessoas empobrecidas originam empobrecimento de outros e a crise económica transforma-se rapidamente numa grave crise social.


5. Que lições podemos retirar desta pandemia?

Que é preciso estar sempre muito atento ao outro, que é preciso cuidar dos outros e que a solidariedade é fundamental. Não julgar, apoiar. Foi muito clara também a importância do Serviço Nacional de Saúde e dos seus profissionais que têm feito um trabalho importantíssimo para cuidar, para vacinar, para apoiar quem mais precisa. E ficou muito evidente que a Segurança Social tem um papel imprescindível na ajuda dos mais necessitados, daqueles que de repente ficam "sem chão". É preciso ouvir o outro, perceber as implicações das decisões, não embarcar em juízos fáceis nem em demagogias. Ser solidário com o próximo, porque nunca sabemos quando nos calha a nós.


Entrevista realizada por Ana Matilde Reis
Coordenação/Tutoria: Professora Ana Sofia Pinto