Pandemia Covid-19

"O trabalho, entendido como uma ocupação remunerada, é de extrema importância nas nossas vidas: assegura a nossa existência, criando valor e riqueza. Mas significa muito mais: reconhecimento e estatuto social e, habitualmente, as metas que fixamos na vida relacionam-se com o mundo laboral. Quando se perde o trabalho, em tempos difíceis como o atual, muitas pessoas ficam fora do mercado de trabalho, passam por graves dificuldades financeiras e pressão social, sentindo que já não são elementos válidos para a sociedade."

Eustory. 2021

Atualmente, enfrentamos a Pandemia do Covid 19. Este vírus pandémico tem provocado falências, um aumento da taxa de desemprego e o agravamento das desigualdades socioeconómicas. É, por isso, crucial o apoio do Estado às empresas e aos trabalhadores. Só desta forma, será possível enfrentar e superar a crise económica e financeira provocada por esta pandemia.

A Pandemia Covid 19 fez reinventar o nosso dia-a-dia. Passamos por períodos de confinamento, houve o encerramento de estabelecimentos, a suspensão das atividades letivas presenciais e aprendeu-se a trabalhar em regime de teletrabalho.

Devido ao facto de residir na Amadora realizei uma entrevista à Dr.ª Carla Tavares, Presidente da Câmara do meu concelho. A Amadora tem sido um dos concelhos mais afetados por este vírus pandémico. As questões efetuadas à Dr.ª Carla Tavares foram as seguintes:

- A Amadora tem sido um dos concelhos mais atingidos pela Pandemia Covid 19. Por que razão?

- Quais têm sido os efeitos desta pandemia na economia do concelho?

- Quais têm sido os efeitos desta pandemia, na Amadora, em termos laborais?

- Que medidas têm sido tomadas para diminuir o número de infetados?

- Como tem corrido a vacinação no Pavilhão Rita Borralho?

- O que mudou na sua vida com esta pandemia?

- Que lições podemos retirar desta pandemia?

Realizei, ainda, nove entrevistas em vídeo e vinte e uma entrevistas, por escrito, sobre este vírus pandémico. 


Entrevistas em Vídeo - Covid-19

🎥 Fernando Rosas

Historiador

🎥 Filomena Manso

Atualmente Desempregada - Tia de Ana Matilde Reis

🎥 Inês Jesus

Médica

🎥 Carla Tavares

Presidente da Câmara Municipal da Amadora

🎥 Miriam Jesus

Médica

🎥 Maria Isabel Reis

Auxiliar da Ação Médica - Avó de Ana Matilde Reis

🎥 Fernanda Massano

Enfermeira

🎥 André Sendin

Presidente da Escola Superior de Comunicação Social

🎥 Manuel Brás Manso

Ex-Combatente - Avô de Ana Matilde Reis

🎥 Luís Martins

Professor de Matemática - Tio de Ana Matilde Reis


Entrevistas Escritas - Covid-19


A História das Pandemias

"As epidemias não são um fenómeno novo, existem há milhares de anos. A novidade é que, ao longo da história, o fenómeno tem vindo a tornar-se mais frequente, sobretudo devido à globalização.

Temos, por isso, de aprender a lidar com epidemias e pandemias de um modo cada vez mais seguro e eficaz, investindo e confiando na ciência, adotando comportamentos sociais de cuidado e prevenção e construindo um mundo solidário no qual ninguém pode ficar para trás.

A primeira pandemia de que há registo remonta a 3 mil anos AC. Desde então, o inimigo invisível a olho nu tem chegado cada vez mais depressa a cada vez mais zonas do planeta, transformando epidemias em pandemias. Algumas delas, devido à sua intensidade, passaram à história.

Guiados pela professora Teresa Rodrigues (Universidade Nova de Lisboa), propomos um percurso por estes momentos históricos no vídeo "A História das Pandemias".


A sobrevivência humana é uma improbabilidade estatística. As ameaças são constantes, com potenciais consequências devastadoras. Terramotos, convoluções climáticas, guerras, fomes maciças. Mas há um outro inimigo, invisível a olho nu. Um micro-organismo desconhecido que pode chegar e levar consigo milhares, talvez até milhões de vidas. Longe de ser uma máquina perfeita, o corpo humano não está preparado para resistir a algumas doenças.

Em pleno século XXI, ainda somos afetados pelo cancro, SIDA, tuberculose, diabetes, hipertensão, já para não falar das incapacidades e perturbações mentais. Isto, claro, se excluirmos o cada vez mais provável aparecimento de novos vírus que têm o potencial de ameaçar o nosso estilo de vida, cada vez mais globalizado. O aparecimento e a disseminação da covid-19 vieram abalar as nossas vidas como as conhecíamos até então. Uma doença que chega a todos sem exceção. Uma epidemia tornada rapidamente pandemia, que nos roubou dois milhões de pessoas nos primeiros doze meses.

Na verdade, não sabemos ao certo, qual foi a primeira pandemia da História. Ao longo de muitos séculos, as cidades, sobretudo as portuárias, foram os epicentros das grandes epidemias, trazidas por mercadores e exércitos por via terrestre ou marítima. As razões são conhecidas: eram espaços abertos onde, num contexto de insalubridade, se aglomerava uma população crescente e vinda de muitas partes, algumas de risco.

Faltam dados sobre a maior parte das grandes mortandades que nesses tempos longínquos afetaram as sociedades humanas. No entanto, algumas passaram à História pela sua intensidade e por ficarem registadas de algum modo. É uma viagem por algumas delas que vos propomos agora.

A primeira pandemia de que há registo remota a 3 mil anos antes de Cristo, na aldeia chinesa de Hamin Mangha. A descoberta de esqueletos de diferentes idades aponta para uma epidemia na aldeia, e a disposição dos corpos faz-nos perceber que não houve tempo, e talvez tenha havido medo, para realizar cerimónias fúnebres.

Já todos ouvimos a história da peste no Egito. Sabe-se hoje que há um fundo de verdade nesse surto epidémico que terá ocorrido em 2000 a.C. Os sete anos de fome de que nos fala a Bíblia são uma provável consequência desse surto, do qual se desconhece o número de mortos.

Avancemos milénio e meio na nossa cronologia. Estamos no ano de 430 a.C. em Atenas. A cidade vibra à volta do porto de Pireu, um dos grandes polos de transação da cidade. Mas um barco vindo da Etiópia trouxe a desgraça à cidade-Estado. Antes foi atingida por um surto de febre tifoide que durou 4 anos. Matou grande parte da população da cidade, talvez umas 100 mil pessoas, algumas das quais se tinham refugiado em Atenas por causa da guerra que decorria com a cidade de Esparta.

O Império Romano também não esteve livre de uma epidemia grave. A rede de estradas construídas nesta era foi provavelmente a grande responsável pela disseminação da doença. Primeiro, a praga antonina de varíola, trazida para Roma no Séc. II por soldados que voltavam da guerra. Esta praga terá matado mais de cinco milhões de pessoas e contribuiu para o fim da Pax Romana. Depois, a praga de Cartago, que surge no ano 270 e durou 21 anos. Não sabemos ao certo que doença foi nem quantas pessoas terá matado. Começou em Cartago e alastrou-se a Roma, onde chegaram a morrer mais de cinco mil pessoas por dia. No entanto, sabemos que afetou uma vasta extensão do Império Romano e chegou a matar pessoas no Egito.

541. Já o Império definhava, com a sua capital transferida para Constantinopla, quando surgiu a primeira peste bubónica na Europa. Foi o resultado de uma tempestade perfeita. O saneamento era frágil, o que contribuía para uma baixa esperança média de vida. Para agravar o problema, várias erupções vulcânicas na região bloquearam a luz solar, agravando os défices de vitamina D nas populações e afetando o seu sistema imunológico. A peste foi transmitida pelas pulgas dos ratos vindos num navio de cereais que chegou do Egito. Ao longo de quatro anos, seguiu as rotas comerciais e afetou toda a Europa e o litoral do Mediterrâneo nas duas margens. Na verdade, da Escandinávia, à Síria e à Pérsia. Ao todo, matou entre 30 a 50 milhões de pessoas, 15% da população então existente no mundo.

Peste Negra - Passaram quase mil anos até haver registo de uma nova pandemia. E que pandemia. A bactéria Yersinia pestis, hoje extinta, teve origem na China e matou cerca de 35% da sua população. Anos mais tarde, a peste chegava à Europa e dizimava milhões de pessoas. Trazida pelas rotas comerciais terrestres e marítimas, os mercadores foram o grande veículo da sua propagação. Na Europa, o ambiente era propício à propagação de doenças. Viviam-se anos difíceis, marcados por más colheitas, populações famintas, cidades sobrelotadas. A peste foi trazida até à Crimeia pelos mongóis que atacaram o entreposto comercial de Caffa, mas seriam os mercadores genoveses e venezianos a espalhá-la a partir de Messina, na Sicília. Propagada inicialmente pela pulga do rato, a epidemia nas formas bubónica e pulmonar, espalhou-se com uma velocidade surpreendente para a Idade Média. A população Europeia diminuiu cerca de um terço, com aldeias e vilas despovoadas. A imagem apocalítica que nos é traçada pelos testemunhos da época é real. A doença atacou com particular intensidade os locais de maior comércio internacional, como a Flandres, as cidades portuárias de Itália e também a Catalunha, a Andaluzia e Lisboa. A peste negra entra em Portugal pelo porto de Lisboa no fim do verão de 1348 e, até janeiro seguinte espalha-se por todo o Reino. Embora a capital fosse o centro nacional da doença, a peste atacou cidades, vilas e campos. Aliás, as migrações do campo para os centros urbanos foram um dos principais fatores de propagação do surto. Estima-se que um terço da população portuguesa tenha morrido até que a doença fosse extinta, muitos messes depois. Outras pestes atingiram o reino de Portugal, a uma média de cada oito anos, mas nenhuma com tamanha intensidade.

Nem só deste lado do oceano proliferam as pestes. No final do Séc. XVI, provavelmente levada por navegadores europeus, vários povos da América Central ficaram à beira da extinção por causa de uma febre hemorrágica viral. Pensa-se que cerca de 15 milhões de pessoas, 50% a 80% dos habitantes da região, tenham morrido ao longo de mais de 20 anos. O sistema imunitário dos ameríndios não estava preparado para enfrentar doenças como a varíola, a rubéola, o sarampo, a papeira, a tosse convulsa ou a gripe. A mais conhecida foi uma forma de febre hemorrágica viral transportada pelos animais que os espanhóis levavam a bordo e que, entre os anos de 1545 e 1476, matou entre 50 e 80% da população do México e da América Central. Em apenas 20 anos, 90% da população indígena terá morrido. As Antilhas ficaram despovoadas e o mesmo virá a suceder no Pacífico, duzentos anos depois. O que aconteceu na América no Séc. XVI é idêntico ao que sucedeu no final de 700, quando os primeiros navegadores ocidentais descobriram as ilhas da Oceânia.

Entretanto, a Península Ibérica debate-se com a sua própria epidemia. Há relatos de uma doença misteriosa que, entre 1563 e 1569, causou inchaços abruptos, fazendo com que boa parte das populações tenha fugido das cidades em apenas três dias.

Entre o final do Séc. XVI e início do Séc. XVII, a costa norte da Europa é assolada por uma epidemia que alastrou até à Península Ibérica. A doença causa menos danos do que a peste que a antecedeu, mas a costa portuguesa, do norte do Algarve, é fortemente fustigada. Com menor intensidade, o interior do país também se ressente, com Coimbra a perder cerca de um quinto da sua população.

O final do Séc. XVIII trouxe ao norte do continente americano uma epidemia virulenta, a Febre Amarela de Filadélfia, que então era a capital dos Estados Unidos. Chegou pelos mosquitos, vinda da América do Sul e de certas regiões africanas. Ao fim de alguns meses, já tinham morrido cinco mil pessoas. A doença persistiu até meados do Séc. XIX. Tal como sucedeu em Portugal. O primeiro grande surto é sentido em Lisboa em 1723, depois no Porto, quase um século depois, em 1850 e 1851. No verão de 1856, de novo em Lisboa, desta vez trazida a bordo de duas embarcações vindas do Brasil. Mas o maior surto de febre amarela em Portugal data de 1857. Entra pelo porto, em Lisboa, e contagia 16 a 17 mil pessoas, sobretudo trabalhadores ligados a atividade portuária, seis mil dos quais faleceram. Na verdade, famílias inteiras desapareceram na Baixa da cidade. Esta epidemia corresponde à última epidemia de tipo antigo, só comparável em termos de mortalidade à que irá ocorrer em 1918.

A Grande pandemia do Séc. XIX é a cólera. Esteve bastante tempo adormecida no continente asiático, mas a crescente facilidade de transporte, especialmente graças ao caminho de ferro, levam-na ao resto do globo. Terá várias vagas, tanto na Ásia como na Europa e nas Américas. Portugal sofreu abundantemente com a doença. No primeiro surto, nos anos 1830, perdeu cerca de 40 mil habitantes. No segundo, nove mil. As pandemias de cólera na Europa foram especialmente graves nos anos 1830 e 1850. Afetaram todos os continentes, sobretudo as cidades, devido às condições de insalubridade e elevadas densidades populacionais. As principais vítimas eram os mais pobres, tal como hoje continua a suceder. A primeira das sucessoras da cólera será a gripe. O primeiro surto conhecido com grande impacto internacional data dos anos de 1889 e 1890. Os primeiros casos foram identificados em São Petersburgo, de onde se propagou em apenas alguns meses ao resto da Europa e do mundo matando um milhão de pessoas.

A grande pandemia de gripe surge em 1918. É habitualmente e erradamente designada por Gripe Espanhola, por ter sido notada pela primeira vez em Espanha. Mas, na verdade existem relatos de soldados contaminados no decorrer da Primeira Guerra Mundial. A sua proveniência ainda é debatida. Terá surgido entre soldados asiáticos ou apareceu pela primeira vez em Bordéus? A tese mais forte remete para um campo militar no Kansas, nos EUA onde foi registado o primeiro caso. Daí terá sido trazida até à Europa. Poderá ter sido a pandemia mais letal na História da Humanidade. As estimativas variam entre 50 e 100 milhões de pessoas, 20% da população mundial. Portugal, claro, não foi exceção. A gripe espanhola durou 18 meses, infetou 117 mil pessoas e matou 60 mil. Entrou no país ou com os soldados que vinham da terra ou pela fronteira de Vila Viçosa com trabalhadores vindos de Espanha. Em poucas semanas, varreu Portugal e atingiu ricos e pobres, rurais e urbanos com enorme violência. Embora Sidónio Pais tenha feito da pneumónica uma espécie de bandeira política, as medidas de combate à epidemia debateram-se com falta de recursos, mas sobretudo com populações debilitadas pela conjuntura adversa que então se vivia.

O Séc. XX ainda haveria de conhecer uma nova gripe, desta vez a asiática, que ressoltou da combinação de vários vírus de aves. Com origem na China, em 1957, espalhou-se ao resto do continente e, em pouco mais de um ano, matou um milhão e cem mil pessoas em todo o globo.

Em 1981, surge uma nova pandemia, a SIDA, uma doença que terá surgido entre chimpanzés e sido transferida para os humanos nos idos de 1920. Embora haja tratamento desde meados dos anos 90, permitindo aos doentes com HIV terem uma vida normal, a SIDA matou cerca de 35 milhões de pessoas e a doença ainda não tem cura.

Entramos no Séc. XXI, num mundo que continuou a ser atingido por doenças pandémicas. É o tempo dos vírus associados a doenças de foro respiratório, maioritariamente gripais com várias estirpes e mutantes, a que acrescem algumas doenças novas, como é o caso do ébola ou do zika. As pandemias surgem em média a cada 3-4 anos e seguem rotas da mobilidade dos homens, bens e serviços à escala mundial. A maioria surge no continente asiático, propagada por morcegos, chimpanzés e camelos. Na verdade, as pandemias tornam-se sobretudo doenças respiratórias agudas graves causadas pelo coronavírus Sars-CoV-1, que se assemelha a influenza, mas com maior letalidade e com diferenças significativas de idade. O século XXI também volta a distinguir-se pelos surtos gripais violentos. O primeiro ficou conhecido como gripe suína H1N1. Identificada na primavera de 2009 no México, atingiu mais de 70 países durante um ano, infetou cerca de 1,5 milhões de pessoas sobretudo crianças e adultos jovens, e causou centenas de milhares de mortes. A vacina contra o vírus passou a estar incluída na vacinação anual da gripe, o que reduziu em muito a probabilidade de eclosão de uma nova pandemia deste género.

Chegamos por fim a 2019 e ao SARS-CoV-2, identificado em dezembro de 2019 na China. E, em março de 2020, é declarado pandemia pela OMS, quando já estava presente em todos os Continentes. Em maio, todos os países do mundo estavam infetados. A Covid parece mais mortal e contagiosa do que as outras influenzas conhecidas.

Olhando para estes cinco mil anos, as pandemias foram cada vez mais frequentes, porventura menos mortais. Estes momentos de exceção servem para nos obrigar a pensar que, apesar de todos os progressos científicos e tecnológicos, continua a existir alguma vulnerabilidade do Homem face às condições do ambiente natural e contruído. E também face às grandes doenças do presente e do futuro. Vivemos momentos excecionais dos quais emergem novos padrões e tendências e que nos abrem novas formas de entendimento do mundo. Como afirma Peter Piot: "We are living in the age of pandemics." Só desconhecemos até quando e o que está para além de hoje.

Enfrentar uma pandemia é uma missão titânica. Mas a história já nos mostrou várias vezes como fazê-lo. Primeiro, há que confiar na ciência que temos ao nosso dispor e aceitar que, apesar das falhas, ela é sempre a nossa melhor opção. Depois, é preciso que as sociedades se organizem, adotando comportamentos comunitários de cuidado e de prevenção. Por último, para combater eficazmente uma pandemia, tem de haver solidariedade. Ninguém pode ficar para trás, porque nós só vencemos uma pandemia se a vencermos todos. Se é certo que com a globalização entrámos na era das pandemias, não é menos certo que com ela encurtámos o caminho para as controlarmos. Para sobrevivermos e prosperarmos neste novo tempo, vencendo provas de superação constantes, teremos de confiar cada vez mais na ciência, reorganizar as nossas sociedades e, sobretudo, garantir que nenhuma pessoa, grupo ou país fica para trás."


Testemunho de Ana Matilde Reis

Num simples instante

Não sei como tudo isto despertou na minha vida, como me afetou. Não estou doente, mas estou deprimida porque a salvação da humanidade passa por a privação de uma parte da liberdade que nos é essencial! 

A vida como a vivíamos mudou por completo e não sei quanto tempo é que iremos viver nesta prisão de oxigénio entre quatro paredes. A vida era boa, mudanças eram para acontecer, experiências para viver, momentos para chorar, rir e sonhar, mas de repente tudo mudou e fomos capturados para nossas casas, apenas podendo ver a luz do sol através da janela. 

 O mundo que estava tão doente viu melhoras pela desgraça da humanidade. Nós entrámos numa cadeia de morte e sofrimento enquanto o planeta acordou do seu coma mesmo que ainda muito fraco. As pessoas viram a sua vida a passar-lhe em frente aos seus olhos e aperceberam-se da importância da rua e da comunicação interpessoal. 

Foi num simples instante que esta pandemia se alastrou e foi num simples instante que o mundo mudou. Ainda à pessoas a lutar todos os dias umas pelas outras, que arriscam as vidas para que nós que estamos em casa continuemos vivos e seguros. Isto emociona-me, saber que existem pessoas que nem me conhecem e inconscientemente arriscam a vida por mim e por todos aqueles que conheço e desconheço. São almas de coragem, todos aqueles que independentemente da sua profissão saem à rua todos os dias para o país não desmoronar. 

Um alerta que se espalhou talvez para podermos compreender certas coisas e maturarmos ideias em relação ao que na verdade não está certo na nossa sociedade. As pessoas uniram-se mais do que nunca, correntes de esperança foram criadas através de melodias, palavras e pequenas ações. Apoiamo-nos no ombro do mundo que agora está acordado e que mesmo sofrendo nos dá a mão e passa esse sofrimento humano que nos consome para dentro de si na terra dos cemitérios e das valas comuns. Permanece com a sua dor e tira-nos a nossa. Como o nosso mundo é altruísta e bom para nós.  Acho que agora, mais do que nunca nos devíamos redimir para o ajudar realmente de uma vez por todas.

Não sei mais o que dizer, sou apenas mais um alguém no seu quarto a tentar escrever sobre algo que é maior do que si próprio. Sou apenas alguém que muito pouco sei. Sou apenas alguém que está a viver neste tempo e que pensa sobre o que se está a passar à sua volta. 

Quando as pessoas com este vírus cruel são ligadas aos ventiladores é porque sabem que já não conseguem respirar bem num tempo que não é o delas. O seu tempo, a sua vida foi-lhes tirada amargamente por algo que os homens não conseguem ver! Infelizmente este tempo passou a não ser mais deles e o seu respirar tornou-se ofegante na esperança de sobreviver. Felizmente uns ultrapassam a barreira do invisível, mas muito poucos. A multidão morre e o mundo abraça os seus corpos entre a terra macia e acolhedora da morte. 

Este ano tudo mudou, tudo parou, tudo se alastrou, tudo doeu, mas tenho esperança de que tempos melhores irão chegar e um dia tudo isto não passará de mais uma parte da matéria dos livros de história.


Ana Matilde Reis (texto escrito a 4 maio 2020)


Melodias de Esperança

"One day we'll remember the hardest of times when distance meant love and it kept us alive ". Estamos a viver tempos aterradores. No meio da pandemia Covid-19, "Andrà Tutto Bene" é uma mensagem de esperança e coragem para todos ao redor do mundo. Aos médicos, enfermeiros, àqueles  lutam por nós e àqueles que ficam em casa para proteger os seus entes-queridos. 

Composta e interpretada por Cristóvam com vídeo criado e dirigido por Pedro Varela.


Impacto do Covid-19 em Portugal

Artigo da Fundação Francisco Manuel dos Santos



Que impacto terá a pandemia do Covid-19 na Globalização?

A Pandemia do Covid-19 foi a terceira grande ruptura da globalização nos últimos doze anos. A pandemia não eliminará a globalização, mas aprofundará as fissuras já existentes.


Portugal - Amadora e a Pandemia da Covid-19 

Dois meses de Covid-19. O filme da pandemia em Portugal.

"Amadora. Liga à Resiliência" - Tive Covid-19

Situação da Covid-19 em Portugal.

Covid 19 - Historiadora Raquel Tavares

Reunião Situação Covid-19 na Amadora - Declarações de António Costa e Carla Tavares.

Covid 19 - Implicações Políticas e Sociais: Historiadora Raquel Tavares