2ª Guerra Mundial


"Um diplomata inglês escreveu que Portugal terminou a guerra como um país de bolsos cheios mas de estômago vazio."

Fernando Rosas


No dia 1 de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polónia. Era o início da 2ª Guerra Mundial. Portugal declarou-se neutral logo nos primeiros dias de guerra mas este conflito travou-se à escala global e não foi possível sair ileso do seu impacto. Os efeitos desta guerra fizeram-se sentir a nível social, político e económico. No decorrer deste conflito, o governante do Estado Novo, António de Oliveira Salazar, adotou uma política de neutralidade colaborante, inicialmente, com o Eixo e posteriormente com os Aliados.

A guerra proporcionou a acumulação de dinheiro quer na esfera política quer na esfera privada. O Estado ganhou muito dinheiro durante este conflito armado pois a neutralidade foi muito rentável (impostos sobre a atividade importadora e exportadora; exportação de conservas e de volfrâmio).

A 2.ª Guerra Mundial atingiu fortemente a população consumidora em virtude das grandes vulnerabilidades estruturais (as cidades tinham que apagar a luz, muitas fábricas não conseguiam trabalhar, existiram fábricas que para não fecharem trabalhavam dois ou três dias por semana).

A escassez de produtos no continente Europeu, no decorrer da 2.ª Guerra Mundial, conduziu ao racionamento de todo o tipo de bens e produtos. Apesar de Portugal não estar envolvido de forma direta neste conflito armado, o Estado Novo tomou a decisão de racionar bens essenciais tais como o açúcar, arroz, azeite, pão... De forma a obterem estes produtos, os portugueses dirigiam-se com senhas para as filas de racionamento das lojas da sua localidade. Os trabalhadores passaram muito mal durante este conflito armado porque o que se produzia não chegava, os preços subiram e o poder de compra era diminuto. Um diplomata inglês escreveu que "Portugal terminou a guerra como um país de bolsos cheios mas de estômago vazio." A população portuguesa exprimiu o seu mal-estar através de greves.

Um dos efeitos da 2.ª Guerra Mundial em Portugal foi o surgimento de refugiados que fugiam das medidas repressivas dos nazis. Estes refugiados contribuíram para uma mudança na mentalidade portuguesa.

Para ampliar os meus conhecimentos sobre este período da história de Portugal entrevistei o historiador Fernando Rosas. Nesta entrevista, Fernando Rosas explica quais foram as consequências da 2.ª Guerra Mundial em Portugal, as dificuldades que os trabalhadores passaram durante este conflito armado e o que levou Salazar a aderir ao Plano Marshall. 


Vídeo RTP Ensina - Portugal no princípio da II Guerra Mundial

Mal começou a II Guerra Mundial, em setembro de 1939, Portugal declarou-se neutral. O país conseguiu manter este estatuto até ao fim, mas vai conhecer alguns dos impactos do conflito. Conheça a situação nacional em 1939 e 1940.

https://ensina.rtp.pt/artigo/portugal-no-principio-da-ii-guerra-mundial/


Caldas da Rainha, paraíso dos refugiados da II Guerra Mundial.

Para escapar à invasão alemã de 1940, Renée Liberman fugiu do Luxemburgo com os pais, numa viagem que terminou nas Caldas da Rainha. Era para ser apenas uma passagem, mas ficou para toda a vida.

https://ensina.rtp.pt/artigo/caldas-da-rainha-paraiso-dos-refugiados-da-ii-guerra-mundial/

Vídeo RTP Ensina - A II Guerra Mundial e os Portugueses.

No dia 1 de Setembro de 1939 a Alemanha invadia a Polónia dando início à II Guerra Mundial. O Governo português declarou-se neutral, mas muitos portugueses foram apanhados pela dimensão do conflito e, por vontade própria ou obrigados, deixaram a neutralidade para trás.

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-ii-guerra-mundial-e-os-portugueses/


Lisboa, porto de abrigo para os refugiados de guerra.

Judeus e opositores ao regime nazi fugiram para Portugal durante a segunda guerra mundial, aproveitando a neutralidade nacional. Nesse período Lisboa acolheu gente anónima, mas também espiões, diplomatas e figuras da realeza europeia que aqui procuravam uma estabilidade impossível nos seus lugares de origem. 

https://ensina.rtp.pt/artigo/lisboa-porto-de-abrigo-para-os-refugiados-de-guerra/ 

Portugal e a Reconstrução Económica do Pós-Guerra. O Plano Marshall e a economia portuguesa dos anos 50

Tese de doutoramento de Maria Fernanda Fernandes Garcia Rollo

O objecto desta dissertação é o estudo da participação de Portugal no European Recovery Program (designação formal do Plano Marshall), observado no contexto geral da economia portuguesa do pós II Guerra Mundial. Os anos do pós-guerra constituíram um entreacto, importante na história económica portuguesa, no qual se integra a participação de Portugal no Plano Marshall. Foi durante esse período, que decorreu da Guerra até, simbolicamente, ao início da execução do I Plano de Fomento, que o País, entre hesitações e reajustamentos, percorreu os caminhos da transição da economia de guerra para a economia de paz e estruturou o essencial do modelo económico que prevaleceu até aos últimos anos da década de 50. O encontro de Portugal com o Plano Marshall contribuiu para a intensificação do envolvimento do nosso País num processo de crescente internacionalização e abertura ao exterior. Este trabalho defende e procura demonstrar que: (i) o auxílio financeiro concedido a Portugal, constituiu um financiamento externo que mobilizou também capitais portugueses, (ii) a sua utilização integrou-se e introduziu ajustamentos nas orientações da política económica do País; (iii) foi conjunturalmente importante no que respeita à contenção e superação da crise multifacetada que na altura afectava a economia e a sociedade portuguesas; (iv) contribuiu para eliminar o défice da nossa balança de pagamentos e facilitou o abastecimento de bens essenciais necessários para debelar a crise e para lhe minorar os efeitos económicos e sociais; (v) viabilizou a aquisição de equipamentos para alguns projectos que dependiam desse fornecimento para o início ou a prossecução da sua actividade. O aproveitamento do programa de Assistência Técnica e Produtividade, constituindo uma das faces menos 'visíveis' da participação de Portugal no Plano Marshall terá constituído algum dos seus benefícios mais importantes e duradouros. Por tudo isso, o Plano Marshall foi essencialmente um elemento catalizador e um instrumento de inovação e crescimento. A história do envolvimento do nosso País no Plano Marshall, que se estuda neste trabalho, foi parte integrante da conjuntura de passagem que o País atravessou no pós-Guerra; foi ponte de saída do fim da II Guerra Mundial, entre a cooperação e auto-suficiência, entre a inexorabilidade dos limites da autarcia e autarcia que era possível, entre a Lei de Reconstituição Económica e o I Plano de Fomento, entre o Portugal acentuadamente agrícola e o Portugal em processo de industrialização que se sobrepôs à projecção do País rural.

Link Tese: https://run.unl.pt/bitstream/10362/117426/1/Rollo_PortugalReconstru%c3%a7%c3%a3oEconomica.pdf

Entrevista

Nesta entrevista, o historiador Fernando Rosas explica quais foram as consequências da 2.ª Guerra Mundial em Portugal, as dificuldades que os trabalhadores passaram durante este conflito armado e o que levou Salazar a aderir ao Plano Marshall.

A Pandemia Covid-19 é também uma das temáticas abordadas.